domingo, 7 de janeiro de 2018

Repensando o meu papel enquanto docente

As leituras realizadas na interdisciplina de Educação de Pessoas com Necessidades Educativas Especiais, possibilitou uma autorreflexão do meu papel enquanto professora. No cotidiano escolar procuro desempenhar o papel de uma professora aberta e flexível, considerando o interesse dos alunos. Nesse sentido, em minha prática procuro escutar e olhar cada criança de maneira individual, levando em conta suas especificidades e potencialidades.
Respeitar o tempo de cada criança, observar seus talentos e aptidões, construir um espaço para que essa seja estimulada e possa se desenvolver, valorizar as produções e criações dos alunos dentre outros, são fatores que realizo em minha prática.
O trabalho com a educação infantil tem especificidades muito próprias que o diferencia significativamente dos demais níveis de ensino pois é justamente nas práticas cotidianas que ele acontece. Os bebês e crianças bem pequenas tem maneiras próprias de ser, estar e aprender. Cabe ao professor perceber essas sutilezas e dar visibilidade a todo potencial criativo e construtor desses sujeitos cognoscentes.
Dessa forma, o olhar/escuta apurada e sensível é fundamental. Cada criança é vista a partir de suas potencialidades, e não a partir de suas lacunas ou déficits. O aluno é concebido como um todo não fragmentado. Para além do conceito de aluno problema, cada sujeito é concebido como um ser único, com modos de ser, estar e aprender singular.


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O erro e a ilusão- reflexões de Edgar Morin

Edgar Morin é um antropólogo, sociólogo e filósofo francês extremamente relevante na contemporaneidade. Sua abordagem trabalha com o “pensamento complexo” ou o “paradigma da complexidade”.
No texto: “ As cegueiras do conhecimento- o erro e ilusão”, o autor explica que todo conhecimento carrega o risco do erro e da ilusão. E, ainda complementa que o erro e a ilusão parasitam a mente humana desde o aparecimento do homo sapiens. Assim, sendo a educação deve mostrar que não há conhecimento que não esteja, em algum grau, ameaçado pelo erro e pela ilusão.

Ressalta que a inteligência e afetividade estão embricadas, numa relação dialógica, o que implicaria em certo ponto na incidência de erros, uma vez que “ A projeção de nossos desejos ou de nossos medos e as perturbações mentais trazidas por nossa emoção multiplicam os riscos de erros.” (MORIN, p. 20, 2002).
Morin (2002) ressalta a importância de substituir o pensamento que isola e separa por um que distingue e una dando uma qualidade própria. Todavia, em muitos contextos escolares, o paradigma vigente é o cartesiano que separa o sujeito o sujeito do objeto.
Assim, precisamos resistir a esse tipo de ideologia e lutar por uma perspectiva relacional, rica e integradora de conhecimento, onde o aprender seja dialógico, e as diferentes áreas do conhecimento possam transitar complementando-se mutuamente.
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Referência:
MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. 5ªed- São Paulo: Cortez, Brasília, DF: Unesco, 2002

sábado, 4 de novembro de 2017

Reflexões sobre a deficiência


O fazer educativo é um desafio diário. Atender e compreender uma infinidade de alunos marcados pela sua individualidade, especificidades e modalidades de aprendizagem próprias- são tarefas que o professor deve dar conta.
Apesar de não trabalhar enquanto professora com alunos com necessidades especiais, tive essa experiência na clínica na época em que atuei como psicopedagoga. Penso que em muitos casos, o acompanhamento psicopedagógico seja fundamental para que os sujeitos aprendentes- com deficiência ou não-  possam superar suas dificuldades, e aqui me refiro as dificuldades de aprendizagem.
Ver os sujeitos a partir de suas possibilidades, concebendo-os como um todo, não focalizando apenas em suas lacunas ou déficits, são ações fundamentais no que se refere ao professor verdadeiramente inclusivo. Além disso, a inclusão deve fazer parte da escola, do seu projeto político pedagógico, vivenciado na prática.
Trabalhar questões de empatia, respeito ao outro e aceitação das diferenças devem ser projetos permanentes no contexto escolar inclusivo. Todavia, no cotidiano escolar nem sempre é isso que ocorre.
Falta de acessibilidade, de preparo e formação continuada para o atendimento de aos alunos com necessidades especiais, políticas públicas ineficazes, dentre tantos outros aspectos ajudam a legitimar as desigualdades e falta de respeito e comprometimento com o outro- em especial quando o outro é portador de alguma deficiência.
(...) a presença de preconceitos e a decorrente discriminação vivida, ainda com mais intensidade pelos significativamente diferentes, impedindo-os muitas vezes, de vivenciar não só seus direitos de cidadãos, mas de vivenciar plenamente sua própria infância. (AMARAL, 1998, p. 12)

Não raro, contamos com um discurso lindo nas escolas no que se refere a inclusão, mas na prática, o máximo que ocorre é uma integração. Perpetuam-se preconceitos, estigmas e estereótipos que pouco dizem sobre os sujeitos com necessidades educativas especiais.

Referência
AMARAL, Lígia Assumpção. Sobre crocodilo e avestruzes: falando de diferenças físicas, preconceitos e sua superação in Diferenças e preconceitos na escola: alternativas teóricas e práticas/ Coordenação de Julio Goppa Aquino. São Paulo: Summus, 1998.

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domingo, 29 de outubro de 2017

Reflexões acerca do impacto das redes sociais na vida das pessoas

Indubitavelmente, estamos vivendo numa sociedade marcada pelo individualismo e egocentrismo. Nesse sentido, assistir o vídeo: “O impacto das redes sociais na vida das pessoas”, proferido por Leandro Karnal foi interessante para um melhor entendimento da sociedade na qual estamos inseridos.
Conforme Karnal comentou, estamos vivendo a era do indivíduo, onde o EU absoluto ocupa papel central, atravessado por estrutura narcísica. O ser humano se torna cada dia mais intolerante, impaciente, apressado sem se permitir uma pausa para reflexão e contemplação- ações tão importantes ao logo da vida. E isso se reflete na escola.
Consumimos num ritmo enlouquecedor, desejamos exacerbadamente. Vivemos num mundo líquido, tal como afirma Bauman, e em consequência disso, nossa forma de se relacionar também se tornou um tanto quanto fluída, assim como se apresenta nas redes sociais.
Nesse sentido, podemos dizer que as redes sociais são o reflexo de uma série de questões que marcam nossa sociedade pós-moderna. Elas nos oferecem excesso de informações as quais não fazemos uma leitura apurada, reflexiva e crítica, uma ampla gama de “amigos” com os quais podemos nos conectar ou desconectar com facilidade, dentre tantos outros aspectos. 



A Educação de Pessoas com Necessidades Especiais- histórico e avanços

A disciplina de “Educação de Pessoas com Necessidades Especiais” tem sido muito rica e significativa. Parabenizo as professoras pela escolha do vídeo: “História do Movimento Político das Pessoas com Deficiência no Brasil”, bem como o texto: “ História Geral do Atendimento à Pessoa com Deficiência” para dar início aos nossos estudos e reflexões. Quanta riqueza guardam esses materiais os quais me prenderam a atenção e me levaram a realizar uma leitura minuciosa.
Confesso que não conhecia a história das pessoas com deficiência, muito menos o seu movimento no Brasil. Conforme foi apresentado no vídeo, até 1979, os deficientes eram invisíveis na sociedade brasileira, vivendo institucionalizados ou reservados ao ambiente familiar.
O apanhado histórico realizado foi muito significativo retomando essa trajetória histórica desde o Brasil Imperial, ressaltando a criação do Instituto Benjamin Constant. Ali dava-se o início ao processo de inclusão das pessoas com deficiência visual na sociedade, ainda que fosse numa lógica assistencialista.
Precisamos ressaltar que houve um avanço significativo no Brasil no que se refere a conquista de direitos as pessoas com deficiência, mas há um longo caminho a percorrer para que de fato essas pessoas sejam incluídas na sociedade de maneira plena. No contexto escolar, na maioria das vezes, o que ocorre é uma integração e não uma inclusão das pessoas com necessidades educativas especiais.
O texto fez uma belíssima retomada histórica - desde a Pré-História, passando pela Antiguidade, Idade Média, Idade moderna e, Idade Contemporânea, contextualizando a trajetória do atendimento a pessoa com deficiência. A partir dessa leitura, é possível compreender todo o histórico de sofrimento, negligência e invisibilidade que essas pessoas passaram ao longo dos anos.
Todavia, também é possível entender que com a empreendimento de esforços, e muitas lutas legitimaram- se como atores sociais. Muito já foi feito em termos de avanços e conquistas de direitos, mas precisamos prosperar ainda mais.

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Referência:
História Geral do Atendimento à Pessoa com Deficiência Texto retirado de: Rodrigues, Olga Maria Piazentin Rolim. Educação especial: história, etiologia, conceitos e legislação vigente / Olga Maria Piazentim Rolim Rodrigues, Elisandra André Maranhe. In: Práticas em educação especial e inclusiva na área da deficiência mental / Vera Lúcia Messias Fialho Capellini (org.). – Bauru: MEC/FC/SEE, 2008.



Povos indígenas: conhecer para compreender

É fato constatável que há um desconhecimento muito grande no que se refere a cultura indígena. Dessa forma, assistir o vídeo: “ Povos indígenas: conhecer para valorizar”. Foi rico e elucidador de muitas verdades prontas e acabadas que acabamos consumindo e reproduzindo.
Com uma riqueza de falas de diferentes especialista e estudiosos da cultura indígena, foram apresentadas quatro ideias equivocadas sobre os indígenas. A primeira delas é a de que: “Índio é tudo igual”. Sendo assim, os especialistas relatam que temos inúmeras etnias no Brasil, que cultuam deuses diferentes, com línguas e especificidades culturais próprias.
O equívoco dois se refere a seguinte questão: “Índio é atrasado e primitivo”, sendo que esquecemos que carregam saberes seculares que foram e são transmitidos oralmente de uma geração a outra. Saberes ricos e carregados de significados que os tipificam dentro de uma cultura singular.
O terceiro equívoco é o de que o: “Índio parou no tempo”. A ideia romantizada que perpetua acerca dos povos indígenas é equivocada e não condizente com a realidade.
Assim, precisamos levar em conta a noção de história e de tempo, tendo a visão de que a cultura indígena não é algo estático ou congelado. E, por fim é introduzido o quarto equívoco de que: “Índio é passado”. Compreender a historicidade desse povo, tendo um olhar atento e apurado para o índio contemporâneo são ações fundamentais.





Cultura afro brasileira e indígena


Apesar de contarmos com as leis 10.639/2003 e 11.645/2008 que concedem a obrigatoriedade da cultura afro brasileira e indígena no âmbito escolar, não é assim que ocorre na prática. Trago essa fala da minha própria experiência como professora ao longo de anos.
Muitas vezes, essas temáticas tão importantes e essenciais ficam relegadas ao esquecimento, sendo lembradas apenas nas datas comemorativas como Dia do Índio e da Consciência Negra. Nesse sentido, não generalizando, mas em grande parte das escolas- são feitos trabalhos pobres e descontextualizados.
Essas culturas ricas e imprescindíveis para compreendermos os diferentes contextos culturais da humanidade, aquilo que nos diferencia e nos une enquanto seres da mesma espécie, aquilo que significa e traduz muitos de nossos hábitos e atitudes- é deixado de lado. Não raro nos deparamos com discursos e concepções rasas, superficiais, estigmatizadas e preconceituosas.

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