domingo, 17 de julho de 2016

Literatura emancipatória

O livro conta a história de um menino chamado Gabriel que como toda a criança curiosa adora tocar em tudo aquilo que vê. Mas será que ele pode mexer...  Já nas primeiras páginas do livro o menino aparece mexendo em grande baú no qual retira diversos brinquedos, que se amontoam com os tantos outros já espalhados pelo chão.
 Como vemos a narrativa já se inicia com o motivo principal ou com a circunstância que leva ao conflito: Mas será que ele pode mexer...
 A história segue num suceder de fatos inusitados: Mas será que ele pode mexer... Em um jacaré do pantanal? Em um cavalo colossal? Em uma abelha abelhuda? Em uma taturana peluda? Na orelha de um gigante? Na tromba de um elefante? No queixo do pai? Na cabeça de um samurai? Em uma amoreira? Em uma cristaleira? Em uma montanha de gelatina? No pastel da cantina? E assim sucessivamente.
Fica claro que o texto é composto por rimas, o que torna a leitura, a meu ver, prazerosa e com uma sonoridade diferenciada, pois se brinca com as palavras. Nesse sentido, é uma obra inovadora, pois causa prazer no leitor, além ter um lado lúdico, adequado ao universo infantil.
O tempo e espaço onde ocorre são variáveis, pois a história acontece em diferentes locais e tempos não diferenciados, por exemplo, hora no pantanal, hora no quintal. Mistura-se realidade com fantasia, acontecimentos típicos da infância, onde o jogo simbólico “o faz de conta”, está presente. Inclusive me chamou a atenção que em todas as ilustrações Gabriel aprece com um pano amarrado no pescoço, simbolizando uma capa de super- herói. Nesse sentido, pode-se afirmar que existe uma convivência natural entre a realidade e o imaginário, que resulta do pensamento mágico. Há presença da fantasia, do imaginário, do maravilhoso.
Ressalto que a forma que o narrador conta a história é simples e envolvente, pois questiona o leitor. Com ilustrações ricas e criativas transparece claramente as emoções do personagem principal, o que instiga o leitor a seguir adiante, criando certa expectativa sobre o que virá depois. Sendo assim, há uma brincadeira com as palavras e imagens, rompendo com a ordem convencional das coisas. Gabriel é um livro que abre espaço para o novo, o inusitado, o diferente.
É uma leitura sem caráter utilitário, uma literatura emancipatória, que nos permite sonhar, viajar pelo mundo da imaginação, que nos permite ser humanos.
Por fim, a história termina com Gabriel mexendo na cauda de uma arara, na qual leva uma mordida no dedo e chora e logo mais mexendo na boneca da Clara, que fica aparentemente brava e sai correndo atrás do menino, que foge com sua boneca nas mãos. Portanto fica evidente que a situação final procura propor problemas ou situações a serem solucionadas de vários modos.
 


segunda-feira, 11 de julho de 2016

As diferentes possibilidades de trabalhar com a Literatura

O trabalho com literatura é muito mais abrangente do que muitos possam imaginar. Para além dos livros, existem inúmeras possibilidades de trabalhá-la de maneira significativa em sala de aula. E quanto maiores forem as possibilidades, mais experiências potentes estaremos propiciando para nossos alunos.
Sem dúvida, a riqueza do trabalho literário através dos livros é fascinante. O poder das ilustrações e textos bem elaborados e costurados é encantador para os pequenos. Digo isso, pois, em minha sala de aula, os momentos de contação de histórias são vividos com muita alegria pelos pequeninos.
Todavia, engana-se quem pensa que para trabalhar com literatura tenhamos que utilizar somente livros ou textos escritos. Trabalhar com movimentação, expressão corporal, rodas cantadas, com o poético- tudo isso envolve literatura.
É claro que a intencionalidade do professor fará toda a diferença, pois tendo os objetivos claros, facilita nesse processo. Além disso, adotar uma postura aberta, flexível e brincalhona é fundamental. Permitir-se, ir além do previsível - a literatura nos possibilita tudo isso.

Que possamos ir além com nossos alunos, ampliando seus repertórios, modos de ver, sentir, expressar, apreciar. A literatura é nossa amiga! 


sábado, 9 de julho de 2016

A Literartura como promotora do respeito as diferenças

 As diferenças permeiam nosso planeta sejam elas: sociais, culturais, étnicas, econômicas. Saber conviver com as diferenças numa perspectiva de respeito e valorização é fundamental. 
Nesse sentido, explorar diferentes situações literárias, amplia visões, conhecimentos, repertórios, auxiliando as crianças a perceberem outros mundos possíveis, para além da sua rede social. E isso é muito rico!
A literatura abre um leque de oportunidades e com graça e elegância, apresenta diferentes identidades, relações sociais, contextos e possibilidades de ser, estar e viver no mundo. 
Trabalhando com a Educação Infantil, percebo o quanto as crianças ficam envolvidas e encantadas com as diferentes obras literárias apresentadas. Obras essas, que são selecionadas com um olhar cuidadoso e apurado. Do mesmo modo, disponibilizo diferentes livros em sala num espaço aconchegando e acolhedor, onde os pequenos tem livro acesso.
Portanto, enquanto professores, não podemos ser reprodutores de culturas e estereótipos “ditos normais” ou “dominantes”. Precisamos aguçar o desejo de nossos alunos para além do previsível, rotineiro, para além do que é dito como “normal”. A beleza da vida é marcada pelas nossas singularidades e diferenças.



domingo, 3 de julho de 2016

LIBRAS

Enfim, estamos construindo a nossa política da verdade: as escolas bilíngues de surdos não são segregadas, não são segregadoras e nem segregacionistas como tem alardeado tanto o Ministério da Educação. Pelo contrário, são espaços de construção do conhecimento para o cumprimento do papel social de tornar os alunos cidadãos verdadeiros, conhecedores e cumpridores dos seus deveres e defensores dos seus direitos, o que, em síntese, leva à verdadeira inclusão. (CAMPELLO E REZENDE, 2014, p 19).

Realizar a leitura do artigo: “ Em defesa da escola bilíngue para surdos: a história de lutas do movimento surdo brasileiro”, foi revelador e significativo para mim, que até então pouco conhecia sobre a língua de sinais, a cultura surda e a identidade linguística surda.
Conhecer as batalhas que os surdos passaram para conquistar seus direitos, principalmente no que se refere as escolas bilíngues, tendo a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), como sua língua materna e posteriormente a língua escrita portuguesa, me fez crer na importância de lutarmos por aquilo que acreditamos.
Fiz o recorte da citação acima, pois foi a culminância de um texto rico e valioso, que me levou a refletir, e posteriormente concordar com a importância das escolas bilíngues para surdos. Escolas essas que são pensadas para pessoas surdas, levando em consideração suas especificidades, onde a língua de instrução é LIBRAS, com professores bilíngues, sem a mediação de interpretes e sem a utilização de português sinalizado. Há um respeito, uma cumplicidade, um ambiente linguisticamente favorável, de modo que a língua de sinais, a cultura e identidade linguística surda é respeitada e valorizada em todas suas interfaces.

Referência:

CAMPELLO Ana Regina, REZENDE, Patrícia Luiza Ferreira. Educar em Revista, Curitiba, Brasil, Edição Especial n. 2/2014, p. 71-92. Editora UFPR




“ O perigo de uma única história”

Assistir o vídeo: “ O perigo de uma única história”, proposto pela disciplina de Libras me fez pensar sobre as maneiras pelas quais  vinculamos as diferentes histórias no dia a dia, principalmente com  os nossos alunos. Nesse sentido, impregnar as histórias, os fatos, as informações com diferentes olhares e pontos de vistas é fundamental na formação dos nossos pequenos leitores.
É fato constatável, que há diferentes formas de contar uma história, de passar as informações e os fatos, sejam de uma localidade, cultura ou de alguém conhecido. Todavia, sabemos também, que muitas vezes essas histórias vêm carregada de subjetividades daqueles que a contaram. Há momentos em que detalhes fundamentais são mascarados ou distorcidos, o que de certa forma influencia o receptor das informações.
Não raro, e por não nos aprofundarmos nas diferentes histórias, aceitamos como verdades absolutas e inquestionáveis e a boniteza do pensamento questionador se esmaece dentro de nós, bem como a boniteza de tudo que poderia ter sido e não foi.
A mídia é uma expert em nos repassar informações, com apenas uma face da moeda. Numa velocidade incrível somos abarrotados de notícias e acontecimentos impregnados por uma ideologia dominante. Sem tempo de assimilar, introjetamos verdades, consumimos essas verdades e, impensadamente as reproduzimos.
Nas escolas não é diferente. Geralmente no início do ano os professores recebem uma proposta de conteúdos que deverão ser trabalhados. E estes, em muitos casos, são vividos e trabalhados da mesma maneira ano após ano.
Da mesma forma, como docentes, devemos estar atentos sobre as histórias dos alunos que chegam até nós, principalmente no início do ano. Pré-conceitos sobre as diferentes crianças, rótulos sobre suas famílias e culturas. Precisamos estar atentos, para além do que está dado, para além das histórias que nos são repassadas. Precisamos conhecer as diferentes realidades com profundidade, para além do ver. Precisamos olhar e conhecer as diferentes histórias, através de diferentes repertórios.





sábado, 18 de junho de 2016

Resgatando as vivências do brincar

Propor atividades lúdicas e prazerosas, aprendemos lá na formação inicial do magistério. Entretanto, a disciplina “Ludicidade e Educação” está trazendo um novo olhar acerca do brincar a partir de uma perspectiva teórica rica e diversificada.
No último encontro, experenciamos duas dinâmicas: “A teia” e “Escravos de Jó” (cantado, mudo e murmurado). E, como foi bom brincar! Colocar o corpo em movimento e simplesmente brincar.
Na correria cotidiana, com as atribulações do trabalho, afazeres domésticos e tantas outras atividades que realizamos ao longo do dia, deixamos de lado nossa capacidade “brincante”, que é uma das mais lindas interfaces do ser humano.
Adormecemos nossos corpos e porquê não dizer mentes em nome de nos tornarmos adultos sérios e respeitáveis.   Trago a fala de Exupéry, em sua obra O Pequeno Príncipe, retomando que: “Todas as pessoas grandes foram um dia crianças – mas poucas se lembram disso. ”
Ao mesmo tempo, me fez pensar na importância de os docentes vivenciarem na prática os jogos e brincadeiras que irão propor para seus alunos. Perceber as dificuldades, os diferentes modos de jogar/brincar, as possíveis conexões, relações e trocas é fator importantíssimo. Colocar-se no lugar brincante, tal como o aluno, permitir-se aprender, vivenciar novas situações, trabalhar em equipe, exercitar a empatia...
Enquanto professores necessitamos estar atentos ao brincar e sua importância para o desenvolvimento pleno e saudável das crianças. O brincar, tal qual as crianças, é a vida pulsante em suas diferentes formas. Então, permitir diversos momentos lúdicos é fundamental!
Trabalhando com Educação Infantil, trago comigo a importância do brincar, principalmente o brincar livre! Nossas crianças necessitam experimentar, descobrir, sentir, vibrar e aprender sobre o mundo, sobre o outro, sobre si, e é através da linguagem do brincar, uma linguagem potente e e universal, que vivenciará tudo isso.

 

Referência:

SAINT-EXUPERY, Antoine de. O Pequeno Príncipe. Disponível em: <http://www.deixemecontar.com.br/cotidiano/14-frases-de-o-pequeno-principe-que-so-os-adultos-entenderao/ >. Acesso em: 13 jun 2016

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Musicalidade e infância(s)

A experiência realizada no último encontro da disciplina “Música na Escola”, foi muito interessante e significativa. Passar por um processo de decodificação de partituras foi muito rico e significativo.
Ritmo, melodia, entonação foram alguns conceitos trabalhados em aula, o que me permitiu vivenciar na prática, aquilo que ainda era muito abstrato para mim. Decodificar, em grupo, as partituras, nos aproximou enquanto colegas e promoveu uma reflexão sobre a musicalidade e seus desdobramentos.
Problematizar as práticas musicais, a importância de um profissional qualificado para ministrar as aulas são fatores que fazem a diferença no cotidiano escolar. Muito mais do que fazer “barulho” é preciso um olhar atento e aprofundado na questão musical.
Apesar de estarmos amparados legalmente pela Lei Nº 11.769 de 18 de agosto de 2008, que estabelece a obrigatoriedade do ensino de música nas escolas de educação básica, apresentamos uma lacuna nesse sentido. Digo isso, pois a formação musical dos docentes, em sua grande maioria, encontra-se enfraquecida e deficitária.
Infelizmente, as artes, a musicalidade, são áreas do conhecimento que ficam marginalizadas nas escolas, ocupando um lugar de segundo plano. Priorizam-se outras áreas de conhecimento em detrimento a essas.  E, isso é muito preocupante!
Muito mais do que uma sala com instrumentos musicais, é preciso pensar no tempo, no espaço e nos materiais necessários para que se desenvolva essa linguagem tão importante. Infelizmente, esse ano não contamos com o projeto de música na minha escola, uma EMEI – Escola Municipal de Educação Infantil que atende a faixa etária de 0 a 3 anos.

Referência:

Lei Nº 11.769 de 18 de agosto de 2008.