Mostrando postagens com marcador Literatura Infanto Juvenil e Aprendizagem. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Literatura Infanto Juvenil e Aprendizagem. Mostrar todas as postagens

domingo, 23 de dezembro de 2018

Para além de livros: a abrangência da literatura


Entrei no curso de pedagogia com uma concepção bastante engessada a literatura que até então concebia como livros. Com o decorrer do tempo, aprofundamento dos estudos, e com a interdisciplina de Literatura “Infanto Juvenil e Aprendizagem”, muitos desses conceitos foram elucidados e assim um leque de possibilidade se abriu.
Percebi que trabalhar com literatura vai além de utilizar somente livros ou textos escritos. Trabalhar com movimentação, expressão corporal, rodas cantadas, com o poético- tudo isso envolve literatura. Através dessa e outras constatações, percebi as infinitas possibilidades, o que refletiu na minha prática em sala de aula com meus alunos.
É claro que a intencionalidade do professor fará toda a diferença, pois tendo os objetivos claros, facilita nesse processo. Além disso, adotar uma postura aberta, flexível e brincalhona é fundamental. Permitir-se, ir além do previsível - a literatura nos possibilita tudo isso.

Resultado de imagem para literatura infantil

Postagem refletida: http://palavreandosobreinfancias.blogspot.com/2016/07/asdiferentes-possibilidades-de_11.html


Literatura de qualidade: aguçando o olhar

Entre tantas aprendizagens realizadas ao longo do curso, sem dúvidas, um importante foi do despertar para a literatura de qualidade. Nesse sentido, a interdisciplina de “ Literatura Infanto Juvenil e Aprendizagem” foi fundamental nesse processo.
Reconhecer uma literatura potente em detrimento de outras que deixam a desejar foi uma das construções elaboradas no meu fazer pedagógico diário na escola de educação infantil. A forma como é narrada a história, se é simples porém envolvente, se questiona o leitor ou não, se o leva a fazer inferências, são fatores a serem levados em consideração no momento da escolha.
As ilustrações, é um fator a ser levado em conta, ainda mais quando se trabalha com crianças, que são muito visuais. Portanto, a escolha do livro deve levar em consideração a abertura de espaço para o novo, o inusitado, o diferente. Para além de uma  leitura de caráter utilitário, mas uma literatura emancipatória, que nos permite sonhar, viajar pelo mundo da imaginação, que nos permite ser mais humanos.

Resultado de imagem para literatura infantil

Postagem refletida: http://palavreandosobreinfancias.blogspot.com/2016/07/literatura-emancipatoria.html




domingo, 17 de julho de 2016

POESIA E POEMA

Poesia é um conteúdo poético que podemos encontrar num poema, narrativas literárias (conto, romance, novela), crônicas... Já o poema é o texto formalizado em versos, estrofes, com certos recursos de linguagem poética: ritmo, métrica, sonoridades, figuras de estilo.
Um excelente recurso em sala de aula pois possibilita as crianças: a despertar o lado sensível, tratar de sentimentos e situações cotidianas ou não, brincar com as palavras e reconstruí-las de outras maneiras, propiciando autoria de pensamento.
Dos muitos poetas que me inspiram, trago a forte presença de Manoel de Barros em meu cotidiano como educadora na educação infantil. Um poeta que via com olhos de crianças, valorizava o simples, as miudezas, àquilo que realmente tinha e  ainda tem valor.  Um poeta que me provoca encanto, assombramento...

Análise de um livro, pensando sobre as infâncias

Escolhi um livro chamado: “As tranças de Bintou” de Sylviane A. Diouf, ilustrações Shane W. Evans, Editora Cosacnaify.
A presente obra retrata a história de uma menina africana e sua sonho de ter longas tranças, pois segundo ela seu cabelo “ é curto, crespo, bobo e sem graça”. Todavia somente meninas mais velhas podem usar tranças e enfeites de miçangas na cabeça, pois na aldeia onde mora, os ritos de passagem são bem demarcados e, sendo assim, a passagem da infância adolescência é vivido com festas, penteados criativos, dentre eles as tranças tão cobiçadas Bintou.
Todavia, Bintou era muito pequena e não devia dedicar-se a vaidade, mas sim brincar, aprender e ser feliz, conforme dizia sua sábia avó. Portanto, enquanto fosse criança, usaria apenas “birotes” no cabelo (pequenos coques). Bintou não se conformava. Tranças, apenas na idade certa.
O desejo da menina era tão grande que chegava a sonhar que tinha dezesseis anos e usava lindas tranças com conchinhas e pedras coloridas, mas quando acordava a decepção era grande pois percebia que tinha apenas quatro “birotes” na cabeça.
O tempo foi passando e outros fatos ocorrendo até que a menina aceita seu cabelo e os pequenos “birotes” tomam um novo significado para a menina a partir do momento em que sua avó os enfeita com diferentes adornos. Com uma auto estima e auto imagem elevada a menina caminha com passos mais firmes e confiantes. Para isso, não ultrapassou etapas, vivendo infância plenamente, aceitando da maneira como é.
Escolhi essa história pois trata da cultura africana, uma cultura extremamente rica, mas que infelizmente é pouco abordada nas escolas e quando trabalhada, muitas vezes, é apresentada de uma maneira empobrecida, fragmentada e descontextualizada. Com gravuras expressivas e um texto brilhante, apresenta de maneira lúdica o cotidiano de uma aldeia africana: seus costumes, comidas típicas, danças, batizados e os rituais de passagem.
Além disso, trata das questões da aceitação das diferenças, que é tema riquíssimo para trabalhar com as crianças desde a educação infantil. As diversidades culturais, étnico raciais...
Numa sociedade marcada pela "cultura da mídia"*, onde são impostos padrões de beleza, e modos de ser e agir, apresentar outras realidades e possibilidades aos pequenos é fundamental. Apurar o olhar das nossas crianças, ensiná-las a ver beleza na diversidade é fundamental para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
Outro aspecto trabalhado no livro é o respeito ao tempo da infância, a não “adultização”, o excesso de vaidade e sensualidade que marcam nossa infância contemporânea. É preciso tempo para ser criança, que na história é marcada pela não utilização de tranças, mas de “birotes” na infância.
Sem dúvida, um livro que nos levar a pensar uma série de questões atuais e pertinentes. Uma leitura que nos impacta, abre horizontes, desacomoda, nos faz pensar, provocando sentimentos, surpresa, sentimentos...
* Cultura da Mídia: termo cunhado por Mariângela Momo


Literatura emancipatória

O livro conta a história de um menino chamado Gabriel que como toda a criança curiosa adora tocar em tudo aquilo que vê. Mas será que ele pode mexer...  Já nas primeiras páginas do livro o menino aparece mexendo em grande baú no qual retira diversos brinquedos, que se amontoam com os tantos outros já espalhados pelo chão.
 Como vemos a narrativa já se inicia com o motivo principal ou com a circunstância que leva ao conflito: Mas será que ele pode mexer...
 A história segue num suceder de fatos inusitados: Mas será que ele pode mexer... Em um jacaré do pantanal? Em um cavalo colossal? Em uma abelha abelhuda? Em uma taturana peluda? Na orelha de um gigante? Na tromba de um elefante? No queixo do pai? Na cabeça de um samurai? Em uma amoreira? Em uma cristaleira? Em uma montanha de gelatina? No pastel da cantina? E assim sucessivamente.
Fica claro que o texto é composto por rimas, o que torna a leitura, a meu ver, prazerosa e com uma sonoridade diferenciada, pois se brinca com as palavras. Nesse sentido, é uma obra inovadora, pois causa prazer no leitor, além ter um lado lúdico, adequado ao universo infantil.
O tempo e espaço onde ocorre são variáveis, pois a história acontece em diferentes locais e tempos não diferenciados, por exemplo, hora no pantanal, hora no quintal. Mistura-se realidade com fantasia, acontecimentos típicos da infância, onde o jogo simbólico “o faz de conta”, está presente. Inclusive me chamou a atenção que em todas as ilustrações Gabriel aprece com um pano amarrado no pescoço, simbolizando uma capa de super- herói. Nesse sentido, pode-se afirmar que existe uma convivência natural entre a realidade e o imaginário, que resulta do pensamento mágico. Há presença da fantasia, do imaginário, do maravilhoso.
Ressalto que a forma que o narrador conta a história é simples e envolvente, pois questiona o leitor. Com ilustrações ricas e criativas transparece claramente as emoções do personagem principal, o que instiga o leitor a seguir adiante, criando certa expectativa sobre o que virá depois. Sendo assim, há uma brincadeira com as palavras e imagens, rompendo com a ordem convencional das coisas. Gabriel é um livro que abre espaço para o novo, o inusitado, o diferente.
É uma leitura sem caráter utilitário, uma literatura emancipatória, que nos permite sonhar, viajar pelo mundo da imaginação, que nos permite ser humanos.
Por fim, a história termina com Gabriel mexendo na cauda de uma arara, na qual leva uma mordida no dedo e chora e logo mais mexendo na boneca da Clara, que fica aparentemente brava e sai correndo atrás do menino, que foge com sua boneca nas mãos. Portanto fica evidente que a situação final procura propor problemas ou situações a serem solucionadas de vários modos.
 


segunda-feira, 11 de julho de 2016

As diferentes possibilidades de trabalhar com a Literatura

O trabalho com literatura é muito mais abrangente do que muitos possam imaginar. Para além dos livros, existem inúmeras possibilidades de trabalhá-la de maneira significativa em sala de aula. E quanto maiores forem as possibilidades, mais experiências potentes estaremos propiciando para nossos alunos.
Sem dúvida, a riqueza do trabalho literário através dos livros é fascinante. O poder das ilustrações e textos bem elaborados e costurados é encantador para os pequenos. Digo isso, pois, em minha sala de aula, os momentos de contação de histórias são vividos com muita alegria pelos pequeninos.
Todavia, engana-se quem pensa que para trabalhar com literatura tenhamos que utilizar somente livros ou textos escritos. Trabalhar com movimentação, expressão corporal, rodas cantadas, com o poético- tudo isso envolve literatura.
É claro que a intencionalidade do professor fará toda a diferença, pois tendo os objetivos claros, facilita nesse processo. Além disso, adotar uma postura aberta, flexível e brincalhona é fundamental. Permitir-se, ir além do previsível - a literatura nos possibilita tudo isso.

Que possamos ir além com nossos alunos, ampliando seus repertórios, modos de ver, sentir, expressar, apreciar. A literatura é nossa amiga! 


sábado, 9 de julho de 2016

A Literartura como promotora do respeito as diferenças

 As diferenças permeiam nosso planeta sejam elas: sociais, culturais, étnicas, econômicas. Saber conviver com as diferenças numa perspectiva de respeito e valorização é fundamental. 
Nesse sentido, explorar diferentes situações literárias, amplia visões, conhecimentos, repertórios, auxiliando as crianças a perceberem outros mundos possíveis, para além da sua rede social. E isso é muito rico!
A literatura abre um leque de oportunidades e com graça e elegância, apresenta diferentes identidades, relações sociais, contextos e possibilidades de ser, estar e viver no mundo. 
Trabalhando com a Educação Infantil, percebo o quanto as crianças ficam envolvidas e encantadas com as diferentes obras literárias apresentadas. Obras essas, que são selecionadas com um olhar cuidadoso e apurado. Do mesmo modo, disponibilizo diferentes livros em sala num espaço aconchegando e acolhedor, onde os pequenos tem livro acesso.
Portanto, enquanto professores, não podemos ser reprodutores de culturas e estereótipos “ditos normais” ou “dominantes”. Precisamos aguçar o desejo de nossos alunos para além do previsível, rotineiro, para além do que é dito como “normal”. A beleza da vida é marcada pelas nossas singularidades e diferenças.



sábado, 4 de junho de 2016

A boniteza da profundidade literária

A Interdisciplina de Literatura Infanto Juvenil e Aprendizagem me provocou a repensar sobre as diferentes nuances que a literatura provoca nos seres humanos. Desde muito cedo, sempre tive presente em meu cotidiano a presença de livros e de cuidadores que com paciência e carinho, me recontavam contos de fadas, fábulas e causos de vida.
Lembro-me que meus olhos brilhavam, ao ouvir as histórias de infância do meu querido avô Ary, hoje falecido, das suas brincadeiras favoritas, de uma infância há muito vivida, mas carregada de sonhos, ilusões e aromas vivos e eternizados.
Me encantava suas brincadeiras simples, todos ocorridas ao pé da rua ou então na chácara ao som dos pássaros, calor do sol, vento das árvores, terra molhada. E quanta criatividade, para criarem seus repertórios de brincadeiras, vovô e seus amigos construíam seus brinquedos.
A literatura, tal qual as histórias e causos contados pelo meu avô é encantadora! Traduz em palavras aquilo que, por vezes, parece indizível. Transpõe sentimentos, provoca assombramentos, desacomodações de crenças e pontos de vista, dúvidas, alegria, nos faz sonhar.
Poderia ficar enumerando as benesses da literatura em nossas vidas, mas trago o nosso olhar para escola, onde diariamente costumo apresentar os mais diferentes gêneros textuais para meus alunos.
Da alegria do encontro com figuras grandes e coloridas, acompanhados dos enredos das diferentes histórias, os pequenos rapidamente se acomodam no tapete da sala para esse momento de deleite. Olhos brilhantes, corpos pulsantes vibram a cada dia com o mundo fantástico da literatura.