domingo, 3 de julho de 2016

“ O perigo de uma única história”

Assistir o vídeo: “ O perigo de uma única história”, proposto pela disciplina de Libras me fez pensar sobre as maneiras pelas quais  vinculamos as diferentes histórias no dia a dia, principalmente com  os nossos alunos. Nesse sentido, impregnar as histórias, os fatos, as informações com diferentes olhares e pontos de vistas é fundamental na formação dos nossos pequenos leitores.
É fato constatável, que há diferentes formas de contar uma história, de passar as informações e os fatos, sejam de uma localidade, cultura ou de alguém conhecido. Todavia, sabemos também, que muitas vezes essas histórias vêm carregada de subjetividades daqueles que a contaram. Há momentos em que detalhes fundamentais são mascarados ou distorcidos, o que de certa forma influencia o receptor das informações.
Não raro, e por não nos aprofundarmos nas diferentes histórias, aceitamos como verdades absolutas e inquestionáveis e a boniteza do pensamento questionador se esmaece dentro de nós, bem como a boniteza de tudo que poderia ter sido e não foi.
A mídia é uma expert em nos repassar informações, com apenas uma face da moeda. Numa velocidade incrível somos abarrotados de notícias e acontecimentos impregnados por uma ideologia dominante. Sem tempo de assimilar, introjetamos verdades, consumimos essas verdades e, impensadamente as reproduzimos.
Nas escolas não é diferente. Geralmente no início do ano os professores recebem uma proposta de conteúdos que deverão ser trabalhados. E estes, em muitos casos, são vividos e trabalhados da mesma maneira ano após ano.
Da mesma forma, como docentes, devemos estar atentos sobre as histórias dos alunos que chegam até nós, principalmente no início do ano. Pré-conceitos sobre as diferentes crianças, rótulos sobre suas famílias e culturas. Precisamos estar atentos, para além do que está dado, para além das histórias que nos são repassadas. Precisamos conhecer as diferentes realidades com profundidade, para além do ver. Precisamos olhar e conhecer as diferentes histórias, através de diferentes repertórios.





sábado, 18 de junho de 2016

Resgatando as vivências do brincar

Propor atividades lúdicas e prazerosas, aprendemos lá na formação inicial do magistério. Entretanto, a disciplina “Ludicidade e Educação” está trazendo um novo olhar acerca do brincar a partir de uma perspectiva teórica rica e diversificada.
No último encontro, experenciamos duas dinâmicas: “A teia” e “Escravos de Jó” (cantado, mudo e murmurado). E, como foi bom brincar! Colocar o corpo em movimento e simplesmente brincar.
Na correria cotidiana, com as atribulações do trabalho, afazeres domésticos e tantas outras atividades que realizamos ao longo do dia, deixamos de lado nossa capacidade “brincante”, que é uma das mais lindas interfaces do ser humano.
Adormecemos nossos corpos e porquê não dizer mentes em nome de nos tornarmos adultos sérios e respeitáveis.   Trago a fala de Exupéry, em sua obra O Pequeno Príncipe, retomando que: “Todas as pessoas grandes foram um dia crianças – mas poucas se lembram disso. ”
Ao mesmo tempo, me fez pensar na importância de os docentes vivenciarem na prática os jogos e brincadeiras que irão propor para seus alunos. Perceber as dificuldades, os diferentes modos de jogar/brincar, as possíveis conexões, relações e trocas é fator importantíssimo. Colocar-se no lugar brincante, tal como o aluno, permitir-se aprender, vivenciar novas situações, trabalhar em equipe, exercitar a empatia...
Enquanto professores necessitamos estar atentos ao brincar e sua importância para o desenvolvimento pleno e saudável das crianças. O brincar, tal qual as crianças, é a vida pulsante em suas diferentes formas. Então, permitir diversos momentos lúdicos é fundamental!
Trabalhando com Educação Infantil, trago comigo a importância do brincar, principalmente o brincar livre! Nossas crianças necessitam experimentar, descobrir, sentir, vibrar e aprender sobre o mundo, sobre o outro, sobre si, e é através da linguagem do brincar, uma linguagem potente e e universal, que vivenciará tudo isso.

 

Referência:

SAINT-EXUPERY, Antoine de. O Pequeno Príncipe. Disponível em: <http://www.deixemecontar.com.br/cotidiano/14-frases-de-o-pequeno-principe-que-so-os-adultos-entenderao/ >. Acesso em: 13 jun 2016

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Musicalidade e infância(s)

A experiência realizada no último encontro da disciplina “Música na Escola”, foi muito interessante e significativa. Passar por um processo de decodificação de partituras foi muito rico e significativo.
Ritmo, melodia, entonação foram alguns conceitos trabalhados em aula, o que me permitiu vivenciar na prática, aquilo que ainda era muito abstrato para mim. Decodificar, em grupo, as partituras, nos aproximou enquanto colegas e promoveu uma reflexão sobre a musicalidade e seus desdobramentos.
Problematizar as práticas musicais, a importância de um profissional qualificado para ministrar as aulas são fatores que fazem a diferença no cotidiano escolar. Muito mais do que fazer “barulho” é preciso um olhar atento e aprofundado na questão musical.
Apesar de estarmos amparados legalmente pela Lei Nº 11.769 de 18 de agosto de 2008, que estabelece a obrigatoriedade do ensino de música nas escolas de educação básica, apresentamos uma lacuna nesse sentido. Digo isso, pois a formação musical dos docentes, em sua grande maioria, encontra-se enfraquecida e deficitária.
Infelizmente, as artes, a musicalidade, são áreas do conhecimento que ficam marginalizadas nas escolas, ocupando um lugar de segundo plano. Priorizam-se outras áreas de conhecimento em detrimento a essas.  E, isso é muito preocupante!
Muito mais do que uma sala com instrumentos musicais, é preciso pensar no tempo, no espaço e nos materiais necessários para que se desenvolva essa linguagem tão importante. Infelizmente, esse ano não contamos com o projeto de música na minha escola, uma EMEI – Escola Municipal de Educação Infantil que atende a faixa etária de 0 a 3 anos.

Referência:

Lei Nº 11.769 de 18 de agosto de 2008.





sábado, 4 de junho de 2016

A boniteza da profundidade literária

A Interdisciplina de Literatura Infanto Juvenil e Aprendizagem me provocou a repensar sobre as diferentes nuances que a literatura provoca nos seres humanos. Desde muito cedo, sempre tive presente em meu cotidiano a presença de livros e de cuidadores que com paciência e carinho, me recontavam contos de fadas, fábulas e causos de vida.
Lembro-me que meus olhos brilhavam, ao ouvir as histórias de infância do meu querido avô Ary, hoje falecido, das suas brincadeiras favoritas, de uma infância há muito vivida, mas carregada de sonhos, ilusões e aromas vivos e eternizados.
Me encantava suas brincadeiras simples, todos ocorridas ao pé da rua ou então na chácara ao som dos pássaros, calor do sol, vento das árvores, terra molhada. E quanta criatividade, para criarem seus repertórios de brincadeiras, vovô e seus amigos construíam seus brinquedos.
A literatura, tal qual as histórias e causos contados pelo meu avô é encantadora! Traduz em palavras aquilo que, por vezes, parece indizível. Transpõe sentimentos, provoca assombramentos, desacomodações de crenças e pontos de vista, dúvidas, alegria, nos faz sonhar.
Poderia ficar enumerando as benesses da literatura em nossas vidas, mas trago o nosso olhar para escola, onde diariamente costumo apresentar os mais diferentes gêneros textuais para meus alunos.
Da alegria do encontro com figuras grandes e coloridas, acompanhados dos enredos das diferentes histórias, os pequenos rapidamente se acomodam no tapete da sala para esse momento de deleite. Olhos brilhantes, corpos pulsantes vibram a cada dia com o mundo fantástico da literatura.


 

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Ver e olhar: duas interfaces da mesma moeda

O trabalho com bebês e crianças muito pequenas, exige uma série de capacidades do educador. Essas capacidades e/ou habilidades são desenvolvidas ao longo do percurso através das trocas sucessivas do docente com entorno que o rodeia. Nesse sentido a formação continuada e permanente auxilia nesse processo, permitindo um exercício de autoanálise e reflexão.
Dentre essas habilidades trago a capacidade de escutar e olhar. Muito mais do que ver, é preciso desenvolver um olhar atento e apurado para nossas crianças, de modo que consigamos compreendê-las a partir de uma perspectiva aprofundada e empática. Assim, construímos uma percepção singular.
O ver é tão importante quanto o olhar, mas é uma forma de percepção mais despreocupada. Vejo muitas coisas no meu dia a dia. No entanto, guardo comigo aquelas que me foram mais significativas ou marcantes, ou seja, os acontecimentos, fatos, histórias para as quais atribui um olhar diferenciado.
O olhar é muito mais cuidadoso, profundo, carregado de significantes que acaba os significando. O olhar envolve subjetividades, percepções sensíveis, aquilo que há de mais bonito do ser humano.
Não sei o porquê, mas tenho mania de carregar no meu bolso uma série de “olhares”, os quais utilizo sempre que necessário para meus diferentes alunos, para as diferentes infâncias com quais tenho prazer de dividir meus dias, numa relação dialógica enriquecedora.
Costumo dizer que a docência nos leva a ver para além do que está dado. E, assim com o passar dos anos fui me tornando uma boa “olhadora”, pois somente o ver não me bastava.

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sábado, 16 de abril de 2016

Os desafios da elaboração de textos qualificados para postagem no blog

Elaborar textos não é tarefa fácil, simplista e terminada em si mesma. Para escrever um bom texto, é preciso se deixar levar pelo mundo abstrato das ideias, é preciso concretizar em palavras os nossos pensamentos, construções e convicções mais profundas e verdadeiras.
Apaixonada pelo mundo das letras, desde a mais tenra idade, acredito que a escrita exige um movimento de entrega por parte do escritor. De tal modo, que esse envolvimento permita a conexão de ideias e um engajamento das diferentes partes que compõe o texto.
Ao escrever, devemos sempre lembra a intenção do nosso registro. Assim, o autoquestionamento é muito bem-vindo! Afinal, qual a mensagem que desejamos transmitir com esse texto? As pessoas que o lerem compreenderão o que está sendo proposto?
Perguntas como essas nos fazem pensar sobre o que estamos escrevendo e ajudam a tornar nossa escrita mais clara, precisa e coerente.  É de extrema importância que os argumentos apresentados ao longo do texto sejam claros e bem sustentados, de preferência com um referencial teórico rico.
Pensemos assim, por meio de uma metáfora, é como se costurássemos uma linda colchas de retalhos onde cada pedacinho de pano representasse fragmentos de ideias, inspirações, leituras, reflexões, construções e desconstruções. Sim, porque um bom texto é feito de inúmeras interfaces.
E depois de pronta, essa linda colcha de retalhos necessita ser revisada, rematada. Feito isso, é possível ter a tranquilidade da elaboração de um bom texto. Certeza, de que essa escrita está totalmente pronta e acabada não teremos, pois novos pontos podem surgir, críticas podem a enriquecer.

Para escrever, é preciso ter intencionalidade, humildade, relativização de pontos de vista e principalmente paixão e encantamento.


quinta-feira, 31 de março de 2016

POR UM ANO LETIVO REPLETO DE AMOR...

Um novo ano letivo se inicia! Para 2016 proponho uma receita com doses generosas de amor...
Isso mesmo, AMOR! Sentimento que falta em excesso em nossa sociedade e que deveria ser o gérmen da vida, a base de nossas relações interpessoais. Mas para ela ficar ainda mais completa sugiro colheradas de bom humor, afabilidade e doçura.
Pitadas de sonhos também são essenciais, pois não é possível fazer e viver a educação sem a chave mestra de sonhar!
Sugiro menos olhares inquiridores e mais mãos estendidas. Que muito mais do que conexões de ideias, haja conexão de corações, em prol de uma educação de qualidade feita para e com as crianças.
Eu realmente desejo, nossa eu desejo tantas coisas e sou movida por tantos sonhos que me faltariam linhas para escrever... mas que seja...
Na minha receita não poderia faltar xícaras de empatia, relativização de pontos de vistas, aceitação das nossas imperfeições e a vontade de sempre mudar para melhor! Ah... humildade e tolerância também são essenciais!
Quanta as crianças... Para elas não preciso propor receita alguma, pois são exuberantes por natureza. Elas sim, sabem viver e conviver, dentro se sua simplicidade, lógica perspicaz, criatividade... As crianças são poesia em forma de vida...
Então, sem mais me alongar... e pegando uma carona com nosso querido Paulo Freire: “É fundamental diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, de tal forma que, num dado momento, a tua fala seja a tua prática. ”
Que tenhamos um ano muito feliz, permeado de boas intenções, inovações e transformações positivas. E que o próximo ocupe um lugar especial em nossas vidas. Que possamos compartilhar sorrisos, tecer ideias, costurar nossas emoções. Acredito que só somos felizes quando nos alegramos com a felicidade do outro.
Que Deus nos proteja e guie nossos passos hoje e sempre!
Dada receita, “bora” trabalhar!